Liderança Feminina
Publicado em 6 de Outubro de 2026Assumir a liderança de uma serventia extrajudicial vai muito além do conhecimento técnico. A função exige tomar decisões, gerir pessoas, organizar processos, administrar recursos e conduzir equipes diante de desafios que fazem parte da rotina. Para as mulheres que ocupam esses espaços, o caminho também pode incluir a construção de autoridade, a busca por reconhecimento e a procura por oportunidades de desenvolvimento.
A presença feminina na gestão extrajudicial já é expressiva e evidencia um cenário de equilíbrio entre homens e mulheres à frente das serventias. O levantamento Raio-X dos Cartórios, realizado pela Associação dos Notários e Registradores do Brasil (ANOREG/BR), revelou que 52,38% dos profissionais são homens e 47,30% são mulheres, demonstrando a participação significativa de ambos na condução dos serviços notariais e de registro em todo o país. Esses dados destacam a contribuição de homens e mulheres para a excelência dos serviços e reforçam a relevância da diversidade na gestão das serventias extrajudiciais.
Mais do que representar uma proximidade numérica, esses dados evidenciam a consolidação da liderança feminina no setor extrajudicial. A própria ANOREG/BR destaca que a atuação das mulheres nas serventias já se equipara à dos homens, reforçando a importância da diversidade de gênero para a pluralidade de perspectivas, a inovação e a modernização dos serviços. Nesse contexto, a presença feminina deixa de ser apenas um dado estatístico e passa a representar uma importante transformação no perfil da gestão dos cartórios brasileiros.
Os números mostram uma participação significativa, mas ocupar o cargo é só o começo. A rotina de uma serventia pede atenção constante às mudanças normativas, qualidade no atendimento, organização financeira e, sobretudo, habilidade para lidar com pessoas e situações sem solução simples.
Para as mulheres, esse cenário pode vir acompanhado de dificuldades adicionais: ter suas decisões questionadas com mais frequência, precisar provar competência repetidas vezes ou equilibrar a gestão com outras demandas da vida pessoal. Cada trajetória é única, e é justamente por isso que vale ouvi-las.
Uma liderança consistente se apoia em habilidades que vão além da técnica: comunicação, planejamento, negociação, inteligência emocional e tomada de decisão. Não existe um único modelo certo. Cada profissional constrói seu estilo a partir da própria experiência e das características da serventia que dirige.
Uma liderança comprometida com a equipe, em vez de centralizar decisões, investe em confiança, reconhece talentos, estimula a autonomia e deixa claro o papel de cada colaborador. Quando as pessoas entendem suas responsabilidades e têm espaço para contribuir, a gestão ganha consistência e os processos fluem melhor.
Isso inclui construir ambientes de trabalho respeitosos, inclusivos e com igualdade de oportunidades. O projeto ELLAS – Cartórios do Brasil trabalha pela equidade, pelo desenvolvimento da liderança feminina e pelo impacto social na atividade extrajudicial. O Selo Cartório Mulher, criado pela Confederação Nacional de Notários e Registradores, reconhece práticas que valorizam as mulheres no ambiente profissional e contribui para relações de trabalho mais justas.
Na nossa experiência de apoio a serventias, essa presença também aparece na carteira do Sky Manager: hoje, cerca de 41% dos nossos clientes são liderados por mulheres, o maior número da nossa trajetória. O que temos observado é que uma gestão estruturada faz diferença: diagnóstico de processos, definição de responsabilidades, acompanhamento de indicadores e desenvolvimento das equipes fortalecem as lideranças e ampliam sua visão estratégica. Afinal, uma boa gestão depende de quem decide, mas também da estrutura, das pessoas e das práticas que sustentam o trabalho diário.
A liderança feminina no extrajudicial reúne trajetórias e formas diversas de conduzir a gestão. Valorizar essas histórias é reconhecer competências, ampliar oportunidades e incentivar ambientes em que cada mulher possa liderar com autonomia, segurança e reconhecimento.
E você, qual foi o maior aprendizado da sua trajetória na gestão? Conte nos comentários.
Assuntos similares
Escrever comentário
Comentários
Michele Aparecida da Silva
7 de Outubro de 2026Esta leitura é de grande valia e de grande estímulo as grandes mulheres